Sua última lembrança era o cheiro que ficou na única camiseta velha que ele esquecera na casa dela.
Seu último desejo era um lampejo daqueles dias em que os dois dividiam apenas o suor dos seus corpos.
Sua última mágoa era não lembrar quem errou, ele não estava la e ela nem se quer lembrava o motivo. A saída? Esquecer.
Sufocar todas as lembranças e esperar que elas morram por si só. Sufocar o querer.
Então todos os dias ela imaginava que ele tinha partindo pra bem longe, mas sempre ao adormecer inconscientemente ela o trazia de volta. Um sub-consciente masoquista e sorrateiro que atira em seus próprios pés toda vez que ela adormece. Será preságio?
Ele, ele continua sua vida como se ela já tivesse ido embora, sente falta mas sente medo. Ela nunca foi uma opção segura pra ele, mas sempre ao adormecer sonha que está ao lado dela, sentado na sua cama e observando-a dormir. Escuta suas mágoas e seus rompantes de choro, fala baixinho que nunca irá abandoná-la e só consegue ir embora quando ela acorda.
Ele todos os dias acorda pensando nela. Ela sempre acorda aliviada.